quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sim Senhor!

Há um tempo atrás assisti a um filme bem bobo, mas com uma mensagem que mudou meu ponto de vista sobre as coisas. O filme chama-se "Sim, Senhor!" com o Jim Carrey, e a idéia central é que ele é um cara muito fechado para tudo, e um feitiço o obriga a dizer sempre sim (sim, quase uma imitação de O Mentiroso), e os "sims" que parecem serem para coisas bobas acabam mudando o rumo da vida dele, que fica mais aberto às oportunidades, descobre um amor e vive feliz para sempre.

Desde que assisti procuro às vezes dizer sim para coisas que normalmente eu não diria, e isso me deixou uma pessoa muito mais aberta, e até mais confortável comigo mesma. Hoje eu quis levar ao pé da letra e simplesmente dizer sim para tudo. Não acordei pensando nisso, mas agora que cheguei em casa vi que não teve uma coisa sequer que eu tenha dito não, para quem quer que fosse na rua, e fazendo isso no automático mesmo, ainda que sem querer, tive um dia sozinha, e maravilhoso (que ainda nem terminou).

Minha meta do dia era trocar uma sandália de 15 dólares que eu comprei na Forever 21. Acho que eu não vou usá-la, e como a loja fica longe de onde eu moro, poderia caminhar pela cidade, passar pelo Centro, pela Praça, pela rua cara (quase uma Ipanema da vida, só que 18 vezes mais rica), e apreciar e conhecer melhor o lugar onde eu moro. Quase não pego o metrô aqui, acho que andando passamos a conhecer melhor a cidade, e assim posso observar mais.

Antes de sair, procurando apartamentos em um site da internet, resolvi mandar ao invés daqueles e-mails automáticos, do tipo "Olá, me interessei pelo apartamento, esse é meu número e podemos nos comunicar em tais horários. Att. ", resolvi enviar na verdade um e-mail realmente sendo sincera, dizendo que tinha me formado em direito no ano passado, mas que não estava feliz, e por isso resolvi me dar a oportunidade de me abrir pro mundo e vim para cá para me autoconhecer e fazer um curso que me interesse, e que tinha trazido feijões e cachaça, para podermos comemorar a nova roommate ao melhor estilo brasileiro.
Em 15 minutos obtive uma resposta positiva, segunda-feira vou ver o apartamento e seja o que Deus quiser. Não estou me mudando agora, mas minha amiga e coabitante deve sair do apartamento em breve, e por mais que queiramos ir para algum lugar que seja perto e juntas, é difícil acharmos dois quartos vagos em um mesmo apartamento.

Assim que saí do apartamento, me lembrei que não é simples sair de casa sem almoço e parar em qualquer lugar, e que eu acabaria comendo apenas um sanduíche. Ao invés de seguir meu caminho em direção à loja, resolvi comer arroz e feijão naquele lugar gostoso de um brasileiro aqui na esquina. Entrei, sentei, pedi, e horas depois a cena de quem entrava era de uma magrela rindo e falando alto com duas capixabas, um paraíba e um carioca de Del Castilho, entre eles o dono do restaurante. Tenho um churrasco marcado todo domingo na rua deles, que acontece depois do futebol.

A rua estava vazia quando saí do restaurante, o clima quente e extremamente úmido assustou as pessoas, que estavam acolhidas em seus ares condicionados. Segui meu caminho na sombra.

No caminho, disse sim para um vendedor de água em uma cadeira de rodas, que não falava nenhuma língua que eu reconhecesse, e sim para um vendedor de maquiagem, que perguntou se eu poderia sentar na cadeira do seu stand para que ele pudesse me mostrar seus produtos. Era um senhor italiano, de 61 anos, apaixonado por maquiagem e pintura desde os 19. Saí de lá parecendo uma palhaça, mas tive que dizer não na hora em que ele tentou me vender os produtos que ele usou. Na verdade eu disse sim, mas apenas para o produto que eu tinha ouvido que estava em falta.

Disse sim também para alguns caminhos novos, me perdi, mas logo encontrei uma rua conhecida e parei na Starbucks. Uma surpresa agradável ao entrar e ouvir bossa nova. Pedi uma água e continuei minha jornada.

Troquei minha sandália, voltei andando, cansadíssima. Resolvi cortar caminho por dentro do parque, é mais bonito, e o caminho é mais curto. Tem muitos esquilos por aqui, patos, coelhos, e as coisas mais fofas que existirem pela terra. O Rio é cheio de bichos, mas são mais exóticos e menos fofos. Não estou desmerecendo meus micos lindos, mas ao ver um tucano eu fico mais maravilhada com a sensação de ver um animal que tem o bico quase do seu tamanho, e tão colorido, do que pensando o quão gracioso é seu andar.

Dentro da praça, uma moça me abordou. Ela tinha uns vinte e poucos, toda de preto e olhos bem azuis. "Posso te fazer uma pergunta?" ela disse. "Claro!" respondi. Duas horas e meia estávamos eu, ela e seu amigo, sentados na grama à beira do lago, enquanto ela me contava sobre a bíblia, a Igreja, e os mandamentos de Deus. Eu nunca falaria sim para qualquer pessoa que me oferecesse ouvir a palavra de Deus no Rio de Janeiro. Não porque eu não me importe com Deus, mas porque eu não tenho a menor paciência mesmo. Hoje foi diferente, eu queria ouvir, fiquei interessadíssima em cada coisa que ela falava, sobre as duas vindas de Jesus à Terra (sim, duas), os símbolos do Sol, do número da besta, e outras coisas que a Igreja representava em nome de Jesus, falsamente. Trocamos telefone.

Apenas dizendo sim acabei ouvindo e conhecendo pessoas interessantíssimas, ouvi assuntos que por mais que eu não concordasse, me ensinaram alguma coisa, e entendi seus pontos de vistas. Abri oportunidades, tenho churrascos aos domingos, encontro com a galera cristã, um possível apartamento...

Sim Senhor!

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