terça-feira, 19 de julho de 2011

Dia 21

Hoje faz 21 dias em que estou nos Estados Unidos. Como boa brasileira que sou, comecei a escrever atrasada. Engraçado, estava com a cabeça lotada de idéias, e assim que abri o meu computador, parece que todas fugiram.

Estava pensando nas minhas experiências por aqui. É incrível que em tão pouco tempo em um lugar completamente novo nos proporcione tanta coisa.

Nas primeiras duas semanas eu estava tendo dificuldades, em primeiro lugar dificuldades comigo mesma. Herdei da minha mãe um sentimento de controle/ auto controle/ controle das situações muito grande. Nunca gostei de beber ao ponto de perder o controle de nada, nunca me interessei por drogas, por medo de não saber me controlar, procuro sempre em uma relação não perder meu próprio controle, procuro resolver tudo sempre de maneira civilizada, sempre procurei andar na linha. Isso não me faz uma pessoa chata, não deixei de viver nada, eu simplesmente procuro não me sentir perdida, ou dependente de ninguém, em ocasião alguma, e quando elas surgem eu simplesmente tento lidar com isso (sem perder o controle). Ao mesmo tempo não tenho medo de me apaixonar, de me entregar à pessoa amada e me sentir amando por completo e feliz. Isso é ótimo, estou muito feliz no momento! Acho que se entregando é a melhor maneira de se sentir vivo, se realmente se sentir completo, e quanto aos meus sentimentos eu não procuro controlar de maneira alguma, simplesmente vivo.

Mas digo isso em relação ao controle de situações porque ao entrar num lugar, principalmente num país onde você não conhece realmente os costumes, você vê que você não tem o controle de nada. Não que a sociedade americana seja tão diferente da brasileira ao ponto de nos deixar descontrolados (talvez como seria em ir para um país Árabe), mas mergulhada em uma sociedade qualquer e olhando tão próximo outra cultura você começa a reparar que coisas tão pequenas são absolutamente diferentes, e só o que você tem que fazer é aprender o que fazer.

Parece simples, mas para uma pessoa que gosta de ter o controle das coisas como eu é uma coisa bem desagradável. Meu namorado é americano, e eu estava acostumada a tê-lo no Brasil, a saber lidar com as situações, por mais bobas que fossem, como pedir uma pizza pelo telefone, lidar com pessoas no dia a dia, e passar a bola pra ele e reconhecer que eu tenho que aprender a lidar com as situações novas que me são postas foi bem difícil.

Coisas simples, como ir à farmácia se tornam algo em que você deve estar disposto a reconhecer que deve aprender. A começar pelos produtos, você não conhece marca nenhuma, não sabe qual é o papel higiênico mais macio. Não sabe ver os preços,  tem o preço do varejo e do atacado (ou algo assim, talvez eu ainda não tenha entendido porque há um preço em oz e um que é o que eu pago) e você não sabe se o preço que você vai pagar é aquele U$15 ou aquele U$3 que tá ali. No caixa, não há um atendente, mas uma máquina em que voce deve passar o produto e efetuar o pagamento, tudo sozinho. Parece uma aventura.

Me senti pequena nas duas primeiras semanas. Sentia vontade de chorar e correr pro colo da minha mãe. Sim, sou assim, talvez eu não encare bem situações novas em que eu não tenha controle do que eu deva fazer. Fui assim nos dois primeiros escritórios em que trabalhei, nas primeiras duas semanas sentia vontade de correr pro colo e não sair de lá, e depois amava tanto que queria mais e mais essa sensação de estar aprendendo o tempo todo.

E está sendo assim, estou tentando me abrir mais às situações, me sentir mais à vontade com a língua, penso rápido, mas tenho vergonha de me expor, sinto como se estivesse “pegando emprestado” o uso da língua, que ela não me pertence.

Eu estou mudando, sinto muito isso e estou achando ótimo. Há muito tempo não me sentia intrigada por nada, instigada pelas coisas. Observar as pessoas, a maneira como agem, se torna algo completamente novo, a cada segundo sinto que estou aprendendo algo novo.

Hoje escrevi um e-mail para a minha família contando um pouco de como me sinto por aqui, muitos prós e alguns contras. O maior contra daqui é a frieza das pessoas. Acho que com um pouco mais de amor ao próximo, roupas coloridas e uma boa churrascaria esse lugar seria perfeito.

Estava em casa pensando muito em minha experiência por aqui, e estou tentando aproveitá-la ao máximo para meu crescimento pessoal, então me dirigi à Starbucks (acho um bom lugar para se observar americanos, já que era essa minha intenção, observar e escrever), e no caminho havia uma senhora com um rapaz fechando a calçada andando lentamente, ao melhor estilo velhinha-de-Copacabana de ser. "Excuse-me" eu disse. Ela me abriu passagem e com um sorriso grande respondi aos dois "Thank you!".  O olhar que recebi foi tão severo, como se eu tivesse feito algo errado que continuei meu caminho pensando, preferi ir à duas Starbucks depois (não que isso signifique muito longe, há uma em cada esquina aqui). Por que não sorrir de volta? Como o coração de alguém fica tão frio ao ponto de não se manifestar com o poder de um sorriso? 

Fiquei intrigadíssima, e ainda estou. Qualquer um que esteja dirigindo, com pressa ou com raiva de algo e veja uma criança no carro da frente fazendo careta imediatamente sorri. Qualquer um que abra um sorriso para você, imediatamente, ainda que não o faça sorrir, amolece seu coração, quase tão automático quando como alguém boceja na sua frente, não tem como não responder com um bocejo.

Ao chegar na Starbucks vi que estava lotada e desisti. Ao mesmo tempo me veio uma senhora perguntando se eu estava procurando uma Starbucks que não estivesse lotada, simpatissíssima me indicou três vezes o caminho correto, com um sorriso e um "tenha um bom dia". Agradeci a gentileza. "Você é bem vinda" ela respondeu. Seria a tradução literal de "de nada" (you're welcome), gosto muito da tradução literal, é melhor me sentir bem vinda do que sentir que não foi nada para a pessoa. Encontrei a outra Starbucks feliz.




2 comentários:

  1. kkkkkk, escrevi um montão de coisas e no final não consegui publicar.
    vou tentar novamente.
    Minha garota linda! voce esta crescendo isso é muito bom. Aproveite tudo que este momento esta oferecendo a voce, inclusive deixando de ser controladora para ser a controlada.
    adorei seus dizeres, aprenda muito, mesmo com as lagrimas de saudades.
    bjocas

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